por Marcelo Billi
As edições da The Economist das duas últimas semanas trazem dois textos interessantes sobre decisões editoriais na internet e sobre os modelos de negócios das comunidades de rede. Ambas discussões a respeito das quais, como consultores de comunicação, temos que estar atentos.
Em “Hold the front page” a revista resume um estudo feito por pesquisadores da HP com base no digg, o site que baseia-se em recomendações de internautas para fazer um ranking de notícias na Web. O que eles descobriram sobre a disseminação de informação na Web e que é muito relevante para quem trabalha com comunicação: as notícias têm uma meia-vida, como o material radioativo. No caso da Net, ela é de 69 minutos, ou seja, nesse período, a audiência de uma história cai pela metade, mais o mesmo tempo, cai pela metade novamente. Essa é a tendência geral mas, em alguns casos, isso muda completamente. Se a meia-vida aumenta muito, a tendência é quebrada e a popularidade da história tende a crescer de forma totalmente distinta. É claro que o estudo não diz o que faz uma história se tornar um fenômeno de audiência, mas ele deixa claro que, na Web, isso ocorre de forma muito mais veloz e inesperada do que nos meios tradicionais de comunicação.
Na edição desta semana, outro artigo, “Everywhere and nowhere” discute o modelo de negócios das comunidades virtuais como o Facebook e o Myspace. O que mais chama atenção, no entanto, é a avaliação de que o “novo grande negócio” nessa área não são as comunidades em si, mas um velho projeto que já foi, no passado, um “novo grande negócio”: o webmail. Segundo o artigo, as contas de webmail têm muito mais informações sobre as conexões e hábitos das pessoas do que as comunidades virtuais. Caso usadas de forma discreta e não invasiva, argumenta o arquivo, elas podem se revelar mais lucrativas do que as comunidades virtuais.
Marcelo Billi é gestor da unidade Máquina Finance PR
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Pode até ser que o Webmail possa se transformar em uma ferramenta de comunicação e de estudo do público. Mas ainda acredito muito mais que Orkut, Twitter e a blogosfera podem repassar essa informação com mais eficiência.
Sobre o tempo de disseminação da notícia, tudo varia de acordo com o tratamento que é dispensado a ela pelo emissor, se for inovador e diferente, provavavelmente durará mais, se for comum, logo será esquecido.
Gostei muito do artigo da The Economist postado pelo Marcelo Billi e quero observar esse fenômeno da curta duração da audiência de uma informação na web coincide com um outro que necessita de igual cuidado de observação daqui por diante: é o aumento do número de pessoas que encaram a internet como o primeiro meio para acessar o conteúdo de notícias. O Grupo Máquina está, nesse momento, refazendo com 200 personalidades pesquisa qualitativa e quantitativa sobre hábitos de acesso a informações -se via internet, mídia impressa ou mídia eletrônica-, impacto da mídia e impacto dos formadores de opinião (incluindo blogueiros, articulistas, ancoras de rádio e TV) junto a esse público. Será uma ampla radiografia dos hábitos de acesso à informação e do impacto de opinião no Brasil. É uma pesquisa que fornece dados para a base do nosso IDM – Índice de Desempenho na Mídia – uma ferramenta exclusiva do Grupo Máquina para auferir como a mídia forma e influencia opinião de assuntos de interesse do mundo corporativo. Assim que tivermos uma prévia voltaremos a comentar o assunto no blog da Máquina Web, aguardem!
Ricardo, o artigo da The Economist chama a atenção para algo muito importante em relação ao hábitos das pessoas em comunidades virtuais : como elas sabem que estão expostas, se policiam. No Webmail, não. O administrador de Webmail sabe que tipo de emails elas respondem, que tipo ignoram, os assuntos mais frequentes e relevantes (os realmente relevantes, não apenas o que as pessoas querem dizer que é relevante para quem está olhando), as agendas de compromissos e de endereços, enfim, sabem informações privadas e hábitos importantes que não estão nas comunidades porque as pessoas não querem torná-las públicas. Eles chamam a atenção também que, no caso das comunidades virtuais, os contatos tendem a estanar depois de uma fase inicial, enquanto no webmail o volume de contatos de uma pessoa tende a aumentar: enfim, o webmail é uma fonte mais confiável do comportamento dos usuários e um retrato mais fiel do seu “dia-a-dia”.
O ranking de notícias mais lidas no site da Folha de S. Paulo reforça essa tese de comportamento distinto daquela matéria que ganha grande visibilidade. Por vezes há notícias com dias de publicação que seguem guerreiras no ranking, percebam.