Privacidade na era digital
por Bento Abreu
O G1 publicou texto, baseado em reportagem do Hollywood Reporter, que estimula a já tradicional discussão sobre como vai ficar o conceito de privacidade com o desenvolvimento da internet. A matéria traz declarações sombrias do diretor Barry Sonnenfeld (Homens de Preto). Para o cineasta, a internet está se tornando onipresente e seria uma ameaça à democracia. “Ela (internet) possui um caráter hipnótico. As crianças e os jovens passam o dia todo nela e estão crescendo sem ter noção do direito à privacidade e, na realidade, sem compreender sua necessidade.”
Sonnenfeld ainda enxerga outras conseqüências do fascínio exercido pela web. “Como a geração do Facebook não está preocupada com o que os outros sabem sobre ela, esses jovens não farão objeção à supervisão, espionagem e intervenções governamentais ainda maiores. Acharão o máximo que a internet será capaz de acompanhar cada passo que dão.”
Este cenário me fez lembrar de V de Vingança - filme dos irmãos Wachowski baseado em HQ de Alan Moore, clique aqui para ver o trailer -, que apresenta uma Inglaterra, em um futuro não tão distante, dominada por um governo totalitário e invasivo que se mantém no poder graças a uma política de imposição de medo na população. Mesmo a história tendo sido escrita nos anos 80, sob a inspiração do governo de Margaret Thatcher, não dá para ignorar as semelhanças com as estratégias dos falcões de Washington.
Claro que previsões alarmistas sempre estiveram presentes na evolução da humanidade, e, felizmente, a maioria não se concretizou. A TV, por exemplo, iria desagregar as famílias. Ocorre que a internet é uma via de mão dupla, que enquanto possibilita uma inédita participação do usuário, criando novas noções de transparência e interatividade, também o deixa mais exposto a controles externos. Não acho que seja o caso de tentar frear a evolução da rede, mas é muito importante que a gente reflita sobre o futuro que queremos.
Bento Abreu é colaborador da unidade Máquina Web
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A posse de informação pelos serviços prestados na wired é previsível, não há como impedir, sequer como inibir tal ato. Temos sempre que ter atenção em 3 elos dinâmicos ref. a serviços web: QUEM e COMO eles detém meus dados, e como serão UTILIZADOS.
Um dos maiores agregadores de valor para o Google, por ex., além de obviamente o valor de sua marca, é a sua responsabilidade ref. a segurança das informações sensíveis de seus usuários e sua resistência perante orgãos federais pelo desejo de controlar tais informações.
Cada vez mais existem controladores que mapearão suas atividades, que lhe induzirão a prestar satisfação do que estã fazendo, em São Paulo já temos a rota de carros recém emplacados monitorados pelas ruas através de RFID… e quando o sistema não é falho, a solução é atentar ao que tais informações sensíveis poderão ser utilizadas contra você… e se por ventura não concordar, a solução é boicotear, um ato simples e solitário que lhe privará do recurso ou serviço provido, vc deixará de ter um e-mail, ou de acessar um determinado website, ou a assistir um canal de TV, ou utilizará taxis ao invés de seu carro de passeio, uma vez que seus direitos são oferecidos sob custódia.
Ação e reação. Existe a possibilidade dos jovens que hoje se “abrem” no facebook e orkut passarem a dar mais valor à privacidade, a certos outros dados, entre outros.
E como destacou o Ivan Carlos, (na maioria das vezes) as pessoas enxergam você na rede por meio dos dados que você mesmo insere lá.
O que eu sinto falta é dessa tal transparência mais aplicada em grande escala (contas públicas, ações políticas, partidos, empresas, etc)