Guerra sem limites

A Folha de S. Paulo publicou no último domingo uma matéria sobre os métodos nada éticos aplicados por instituições indiretamente ligadas às campanhas do democrata Barack Obama e do republicano John McCain, nos Estados Unidos. Essas instituições, que na verdade são chamadas de “agências de publicidade negativa”, vasculham a vida do candidato em busca de algum deslize histórico ou de declarações infelizes para potencializar o assunto pela TV e pela internet, prejudicando a campanha do oponente.

Esse tipo de ação, que já envenenou e inviabilizou candidaturas como a do democrata John Kerry, em 2004, requer atenção redobrada dos profissionais de relações públicas e marketing na hora de montar e executar planos estratégicos de comunicação política, no âmbito off e on-line. Barack Obama, por exemplo, decidiu criar um comitê que está atento a essas intervenções negativas, conforme post publicado aqui no blog Máquina 2.0 em 10/06. Há até um site, destinado a rebater todas as acusações feitas contra ele.

Além disso, uma das instituições que “trabalha” com Obama, a MoveOn, tem um perfil no YouTube com mais de 120 vídeos e 17 milhões de visualizações, em um retrato de como a internet é fundamental ao planejamento de comunicação.

Ataque

A intenção por trás disso é deixar que essas agências façam o jogo sujo da campanha enquanto o candidato age como se nada acontecesse. Dessa forma, enquanto o adversário sofre com uma enxurrada de fatos negativos, o candidato observa como se nada acontecesse e aproveita-se do fato para capitalizar sua imagem.

A tática é levada tão a sério nos Estados Unidos que as “agências de publicidade negativa” criaram até mesmo uma espécie de Oscar, o Pollie Awards, o qual premia os “marqueteiros” de maior destaque na área.

O uso de métodos, muitas vezes obscuros, para promover a imagem de um candidato, um produto ou uma ação é sempre questionável. Para Bush, contra John Kerry, funcionou. Mas hoje, com a arena pública da web, será possível continuar criando factóides e direcionando a opinião do público de maneira uniforme?

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