A internet nas eleições brasileiras

Bento Abreu

O G1 publicou duas notícias nesta quinta-feira que expuseram a indefinição do papel que a internet pode exercer nas iminentes eleições municipais. Enquanto em Itajaí (SC) alguns internautas protestaram contra a exclusão de seus perfis no Orkut – supostamente motivada por manifestações de apoio a candidatos –, a Justiça Eleitoral do Paraná emitiu parecer permitindo a criação na rede de relacionamentos de comunidades de apoio ou rejeição a políticos.

No caso catarinense, há a suspeita de que além das declarações de apoio, os internautas estivessem utilizando os recursos do site para distribuir material de cunho eleitoral. O Google, proprietário do Orkut, não costuma comentar casos específicos e se limita a declarar que cumpre as determinações dos Tribunais Regionais Eleitorais.

 

 

Quem deve dar a palavra final sobre o assunto, o Tribunal Superior Eleitoral, publicou resolução em fevereiro deste ano que determinava que a propaganda eleitoral na internet ficasse limitada às páginas criadas exclusivamente para este fim. Ciente de que a web oferece um imenso rol de possibilidades, o TSE anunciou que julgaria caso a caso as demais situações.

A questão é polêmica e não divide apenas as opiniões dos membros do judiciário. Muitos internautas reclamam do uso eleitoral do Orkut por acreditar que é um desvio da função básica da rede de relacionamento. Outros evocam o direito à liberdade de expressão e comparam as manifestações de apoio, ou rejeição, aos adesivos que as pessoas colam em seus carros ou nos vidros das residências.

E você, o que acha?

A Geração V

Já se tornou um lugar-comum afirmar que o avanço da internet está demolindo diversos conceitos, como o do ‘espectador passivo’ das mensagens, sepultado definitivamente pelas possibilidades interativas da web 2.0. Agora uma pesquisa da Gartner, uma das principais empresas de consultoria de tecnologia do mundo, propõe uma nova forma de visão do publico das mídias digitais.

Ao contrário dos parâmetros tradicionais – por sexo, faixa etária, classe social ou posição geográfica – os integrantes deste grupo são divididos de acordo com a maneira como utilizam a web para a produção de conteúdos, descoberta de informações e compartilhamento de insights. “A formação da Geração V (de virtual) é a prova de que comportamento, atitudes e interesses estão começando a se misturar em um ambiente online”, diz a pesquisa.

A Gartner identificou quatro níveis de envolvimento com a internet:  

  • Criadores: parcela de até 3% do público total. Produzem conteúdo e podem promover serviços e produtos.
  • Colaboradores: de 3% a 10%. Internautas que participam de discussões, mas não as iniciam. Podem recomendar e opinar sobre produtos e serviços como consumidores.
  • Oportunistas: de 10% a 20%. São os que participam mais ativamente e agregam valor a uma discussão que está acontecendo, contribuindo para a geração do ‘buzz’.
  • Observadores: os outros 80%. São essencialmente os espectadores, que apenas lêem e absorvem o que está sendo transmitido sem participar ativamente.

Para o principal analista da empresa, Adam Sarner, estas informações demonstram que “as empresas devem se planejar para atingir os quatro segmentos, pois cada um tem valor considerável para seus negócios.”

O estudo ainda adverte que as empresas precisam ter objetivos claros e definidos para atuar com estes públicos. “Muitas companhias entram em contato com os internautas sem uma meta clara. Assim, o que começa como uma nova maneira de contato com os consumidores, pode acabar causando danos à marca.”