Vertical x horizontal

Com o advento da web 2.0, muitas empresas que antes ignoravam a comunicação digital passaram a adotar ações na web como extensões de seus projetos de comunicação corporativa.

Que é preciso utilizar a web como uma ferramenta de comunicação, pois nela estão grande parte dos consumidores desta empresa e onde pode se construir ou arruinar a imagem da empresa, isso não é nenhuma novidade.

O que poucas empresas perceberam e que é fundamental para um trabalho de comunicação verdadeiramente integrado é que as mensagens divulgadas para o público da web devem estar completamente alinhadas com o que for divulgado pela equipe de assessoria de imprensa, pelos porta-vozes da empresa, pelas ações de promoção, entre outras.

Manter um discurso alinhado em diversos ambientes e situações evita ruídos na comunicação. E isso contribui para uma correta percepção da imagem da empresa por seus stakeholders.

Dessa forma, é mais do que fundamental ter um projeto que aborde divulgações em diferentes canais (on e off-line) justamente porque eles se convergem e, em determinado momento, podem se transformar em um só. 

Não faz sentido haver equipes distintas. O que faz sentido é ter profissionais especializados em diversos assuntos trabalhando de maneira integrada com um único objetivo: gestão efetiva da comunicação.

E nesse negócio, o formato – além de não possuir fronteiras – é horizontal e não vertical.

Tudo em 140

Destaque do ano, o Twitter ganhou espaço devido à sua relevância na web. Jornalismo cidadão, conteúdo atrativo e novas ferramentas foram a chave do sucesso.

Obs: escrever um post nos moldes que o Twitter estipula – 140 caracteres – é praticamente impossível (extrapolei em 16! ) para divulgar uma informação desse tipo. A saída é publicar o link para a matéria na íntegra (IDG Now!).

E é exatamente esta a graça que esses espaços proporcionam aos internautas: as integrações que eles permitem construir.

Do Twitter para o blog. Do blog para o Orkut. Do Orkut para o Reclame Aqui. Do Reclame Aqui para um portal. E do portal  para o Twitter (não necessariamente nessa ordem). 

Isso reforça a tese da via de mão-dupla, onde as informações circulam livremente neste universo e se interligam nos diversos ambientes da web.

Por isso, nada mais justo que uma ferramenta específica voltada para este tipo de comunicação (mensagens curtas, onde o internauta responde o que está fazendo naquele momento) faça sucesso.

Pedro Dória ressaltou ontem no Link que “o futuro terá 140 caracteres”. Ele justifica a projeção ao destacar o crescimento acentuado do uso da ferramenta no mundo todo.

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Perfil do jornalista Pedro Dória no Twitter


O amadurecimento da forma como os internautas enxergam e utilizam as redes sociais foi, e será cada vez mais reconhecido. 
E a sua importância também.

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Entrevista com Evan William, criador do Blogger e do Twitter
“Brasil é 2º ou 3º no Twitter”

Uma eterna discussão

por Patrícia Gil*

A evolução da blogosfera ultrapassa as questões tecnológicas e sua velocidade de propagação à medida que incorpora, diária e democraticamente, um universo novo de pessoas conectadas à internet. Sua transformação conceitual também é muito rápida.

Primeiro vieram as discussões sobre o futuro dos jornais impressos – que já levam anos e continuam inconclusas, apesar de a mídia há tanto tempo ter se tornado um movimento de massa e totalmente hegemônico. Os jornais, até bem pouco, mereciam críticas pelo sintetismo das informações divulgadas. As revistas, ao contrário, continuam sendo o meio onde as idéias e as opiniões são consolidadas semanal, quinzenal ou mensalmente, na maior parte das vezes.

Mais recentemente, cresceu o pensamento de que os jornais também são um meio para consolidar opiniões, ainda que diárias, porque agora polariza as atenções com a internet. Esta sim, dada sua instantaneidade, é acusada pelas informações superficiais que divulga, sem checar sua veracidade, sem compromisso com a verdade.

É a eterna briga na comunicação entre o instantâneo e o perene; entre o superficial e o debate aprofundado.

E enquanto a mídia convencional segue nessa lenta discussão (porque podemos já considerar a web 1.0 como parte desse grupo, somando seus sites oficiais e portais de notícias mantidos pelos grandes grupos de comunicação), a blogosfera, que mal surgiu, já está quase vencendo tal debate.

Prova disso é o movimento do “Slow Blogging”, lançado em 2006, e retratado em matéria interessante na Ilustrada (Folha de S.Paulo – para assinantes) recentemente. Trata-se do movimento ao qual pertencem aqueles blogueiros que utilizam seus espaços para discussões mais densas, humanas – ou zen, como prefere chamar a Folha. O blog que segue essa tendência preza, em síntese, um pensamento mais complexo. Muitos blogueiros passam a optar por demorar mais a escrever, mas, quando o fazem, mostram um conteúdo de fôlego. Deixam de valorizar apenas os diários virtuais e os conteúdos sem nexo que seguiam o rito da velocidade, não da essência de sentido.

A diferença nisso tudo é que tal discussão polarizada (o imediatismo versus a reflexão) na mídia tradicional é emperrada. Leva os grandes grupos de comunicação a pesquisas e mais pesquisas para definir o perfil de cada público, para reposicionar seus veículos noticiosos, para “se repensar”. Tudo muito pesado. Já na web 2.0, há espaço para todos. E ninguém mais discute se é melhor ser rápido ou lento; profundo ou superficial. Cada um escolhe o espaço que quer, firma posição e abre novos espaços, assim, para leitores e autores. Há espaço para todos na web 2.0.

*Patrícia Gil é diretora do Grupo Máquina

Mais que leitores

por Leonardo Bersi*

De acordo com levantamento feito por encomenda da agência F/Nazca, os internautas no Brasil somam 64,5 milhões. Diante deste novo número, as empresas vêem-se em face de um novo desafio: como se comunicar com um público tão grande, diverso e que só tende a crescer? Em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, Fernand Alphen, diretor de Planejamento da F/Nazca, diz que “de dez anos para cá, estamos trabalhando num cenário de areia movediça com o avanço das novas mídias. É cada vez mais difícil saber como pegar o comprador com nossas mensagens”.

Há tempos os internautas deixaram de ser considerados meros leitores. A era web 2.0 – tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos usuários com sites e serviços virtuais – se consolida e desafia as empresas a se adaptarem a um mercado consumidor volátil, altamente suscetível e influenciável por informações que muitas vezes não passam de opiniões mal fundamentadas e impressões parciais disseminadas em um espaço ilimitado.

Ainda de acordo com o texto, soma-se a esta dificuldade o fato de este público se tornar cada vez mais participativo. Sites de relacionamento se multiplicam, e, conseqüentemente, a troca de opiniões e informações torna-se muito mais intensa. Consultar a internet antes de fazer uma compra ou contratar um serviço passou a ser prática freqüente na vida de muitos brasileiros que, pela facilidade de acesso, interagem constantemente com fóruns de debates, blogs, redes sociais, salas de conversas, comunidades virtuais e até na votação em rankings de classificação de produtos e serviços. A pesquisa divulgada pela F/Nazca aponta, por exemplo, que 48% dos usuários da internet levam em consideração a opinião de outros internautas antes de uma aquisição.

Controlar o conteúdo publicado por estes consumidores/internautas é inviável, e a tentativa de calá-los ou limitá-los, convenhamos, impossível. Qualquer movimento equivocado em direção à restrição da atuação deste público pode gerar conseqüências muito piores que a de um comentário negativo a respeito de uma empresa ou produto. Uma abordagem ética das questões relativas à censura e liberdade de expressão na comunicação em rede está longe de se estabelecer.

A crescente influência do espaço web na vida das pessoas impõe mudanças no modelo de ações comerciais e de marketing das companhias. É por esta razão que equipes especializadas no tratamento com este público, voltadas a promover soluções em comunicação digital, gestão da reputação de marca e pessoas na internet e monitoramento do espaço web se fortalecem no mercado.

*Leonardo Bersi integra a equipe de Relações com a Mídia do Grupo Máquina

Aprender, praticar e compartilhar

por Caroline Afonso*

Descobri recentemente um programa que permite a interação de internautas de diferentes partes do mundo com o intuito de treinar idiomas diferentes: o Livemocha. Com ele você pode testar e praticar seus conhecimentos em diversas línguas, além de conhecer (mesmo que um pouco) a cultura local da língua escolhida. Talvez esta seja a tradução – literal – de que na internet não há fronteiras. 

livemocha


No Livemocha, além de estudar o conteúdo do idioma, você pratica o que aprendeu com os outros membros do site. Se quiser treinar o inglês britânico, por exemplo, é possível convidar um nativo da Inglaterra para corrigir seus textos, avaliar sua pronúncia e bater papo online. Ao mesmo tempo, você pode compartilhar o tanto que sabe sobre português com aqueles que querem aprender. 

Bem mais colaborativo do que o recém hit da web, no qual um professor brasileiro de inglês ensina as pronúncias das palavras de uma maneira bem descontraída, o foco do Livemocha é diferente dos sucessos online (até mesmo do conhecido Orkut): Nele não há infinitas comunidades, álbum de fotos ou as gracinhas do BuddyPoke.  Cultura é o tema principal. Por isso, três pilares norteiam a rede social: aprender, praticar e compartilhar.
 

Criado pelo americano Shirish Nadkarni, ex-Microsoft, o site está em versão Beta. A quantidade de internautas cadastrados no Livemocha ainda está longe de alcançar os milhões do Orkut. Atraindo novos usuários diariamente, a maioria  dos atuais participantes do espaço são da Colômbia e a língua mais praticada é o espanhol. O português só aparece em quarto lugar, seguido do inglês. 

Mesmo com alguns testes e inovações em andamento, é melhor aproveitar enquanto a rede é integralmente gratuita. Nadkarni não dispensa a idéia de cobrar por alguns serviços assim que a versão final for lançada.

So, it´s up to you!  

*Caroline Afonso é editora da Clipping+

Amigos, scraps, fotos e delivery

Li na última edição do Meio e Mensagem uma nota bastante interessante sobre pedidos de pizza via Facebook. Isso porque a Pizza Hut  vai lançar um aplicativo dentro da rede social para que essa façanha se torne realidade. Os participantes do Facebook poderão pedir sua pizza sem precisar sair do seu perfil. Com esta iniciativa, a Pizza Hut  – que passou a faixa de 1 milhão de vendas online (dado do M&M) -, busca atingir cada vez mais o público jovem.

Estratégias deste tipo já são comuns entre as empresas. O Mc Donald´s, por exemplo, habilitou a possibilidade dos seus clientes pedirem o lanche via SMS em Chicago, nos EUA. Já a Kraft desenvolveu um aplicativo para iPhone onde os consumidores podem baixar receitas e listas de compras em supermercados.

A integração com os dois mundos está se tornando algo comum. Boa parte do público alvo dessas empresas estão conectados na rede. Desenvolver ferramentas que sejam cômodas ao internauta e permitam à ele viver uma boa experiência com a marca, podem ajudar a consolidar a imagem da companhia como ‘inovadora’ em um mercado onde cada vez mais a concorrência está se reinventando.

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Faça você mesmo

Raciocínio rápido

Bolha 2.0?

por Lívia Hormigo

O temor de Wall Street parece ter chegado ao Vale do Silício, reduto das empresas de tecnologia nos Estados Unidos. É o que mostra matéria de Camila Fusco, na EXAME desta semana, Com os recursos cada vez mais escassos por conta da crise econômica mundial, fundos de investimentos estão revendo suas apostas na Internet. Os maiores prejudicados são os sites que apostam na participação dos usuários e nas comunidades online.

Estamos vivendo uma nova bolha?

A onda web 2.0 resultou na criação de mais de 5.000 sites nos últimos anos. Fenômenos como das redes sociais participativas movimentam bilhões de dólares em aquisições e fusões – o Youtube, por exemplo, custou US$ 1,65 bi ao Google. Mas até que ponto esse investimento é justificado?

Assim, fundos de capital de risco, os principais financiadores de novas empresas, estão analisando com lupa as propostas que recebem. Especialistas não acreditam que isso vai secar a fonte de criatividade na Internet, mas apontam que vamos ter um desaquecimento no setor e poucos Twitters e MySpaces surgirão nos próximos meses.

Ainda assim o otimismo continua. Enquanto empresas somem antes mesmo de se tornarem conhecidas, outras caem no gosto dos internautas e ganham proporções inexplicáveis. E os investidores sonham ansiosamente que o número de acessos e usuários se transforme em receita, mais cedo ou mais tarde.