Tempo: O sonho de consumo da mulher digital

Por *Carol Corrales

Não é de hoje que desvendar o que uma mulher quer ou pensa deixou de ser uma preocupação única e exclusiva dos homens. Atualmente saber entender os anseios do sexo feminino faz parte do cotidiano das próprias mulheres e se tornou um diferencial dentro do mercado digital.

As mulheres são responsáveis pelo maior volume de consumo na internet e controlam 23 trilhões de dólares em compras no mundo. Saber abordá-las da melhor forma faz parte do caminho para o sucesso de um mercado em notável expansão.

O painel de Mulher Digital, do ProXXima, debatido por três mulheres que estão à frente de veículos de comunicação especializados em assuntos especificamente do universo feminino (Andiara Petterle, Giuliana Tatini e Alessandra Blanco) deixou no ar a certeza de que a web é a grande aliada da mulher e, as marcas que conseguirem colaborar para que a rotina delas fique cada vez mais simplificada, vão se sobressair perante as outras. Afinal de contas tempo é o bem que a mulher moderna mais sonha em consumir, certo?

Simplificar o tempo é a peça-chave para o quebra-cabeça da mulher-mãe, mulher-filha, mulher-estudante, mulher que é dona de casa, mulher-empreendedora, enfim, para todas as mulheres que existem dentro de uma só. “O mundo digital é o grande aliado da mulher”, afirma a moderadora do debate, Cecília Russo, do Grupo Troiano de Branding.

No Brasil as mulheres consomem 39 horas de internet por semana. Elas querem saber a última novidade que vai deixá-la ainda mais bonitas, como resolver determinados conflitos com seus filhos ou melhorar a qualidade de vida deles, tirar aquelas dúvidas sobre sexo que não se sentem confortáveis em perguntar nem para a melhor amiga e, acima de tudo, querem ter acesso a produtos que elas se identifiquem e que passem a confiança e a segurança de que realmente foram pensados para elas. Andiara Petterle, do Bolsa de Mulher, afirma que é de extrema importância saber abordar a mulher de forma criativa e inteligente. “97% das mulheres não se incomodam em receber e-mails ou visualizar publicidade on-line quando são interessantes e dialogam com elas”.

Além dessa necessidade de conversa franca e direta, estabelecer uma relação de confiança com a mulher dá a marca a credibilidade necessária para fazer com que ela cresça no mercado feminino.
Alessandra Blanco, editora do canal Delas, do iG, diz que em uma recente pesquisa de mercado, criada para identificar as marcas aliadas das mulheres, a Microsoft aparece entre os principais nomes. Para Alessandra, isso mostra o quanto a tecnologia ganhou espaço e já faz diferença no cotidiano feminino.

As redes sociais também chamam a atenção desse público porque são vistas como meios práticos e eficazes para se atualizarem dos assuntos de seu maior interesse. “93% das mulheres usam redes sociais e 65% delas mais de uma vez por dia. Para elas, é lá que está a informação e são nelas que conseguem resumir tudo que elas precisam saber para ficarem antenadas”.

Enxergar a mulher em seus diferentes papéis diários, como afirmou Giuliana Tatini, editora do M de Mulher, e criar um ambiente favorável onde elas se sintam ouvidas e compreendidas são pontos fundamentais. “Quem não se posicionar de forma correta para essa mulher que dita os rumos da economia, terá grandes dificuldades em permanecer ‘vivo’ no mercado”, complementa Giuliana.

Praticidade e agilidade. Capacidade em simplificar e encurtar distâncias e racionalizar o tempo. Será essa a resposta para a difícil pergunta: “Do que as mulheres gostam?”. A tecnologia vem evidenciando que sim.

* Carol Corrales é analista de redes sociais da MWeb

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Lições do mundo 1.0

por * Juliana Prando

Curioso. Acompanhar uma palestra sobre redes sociais e quase não ouvir conceitos e jargões ligados ao mundo-febre da web 2.0 devia ter uma explicação.  E tinha. A ideia de Lara Lee, executiva da Jump Associates, na abertura do ProXXIma 2010, seminário de Comunicação e Marketing Digital organizado em São Paulo, era falar justamente do caminho inverso ao que se tem pregado hoje – o off inspirando o on. Soa muito old para você?

Lara, uma das responsáveis pela estratégia inovadora de promover a reviravolta da marca Harley-Davidson nos anos 80, veio para resgatar esse case e contar suas descobertas à frente da área que fazia o atendimento aos fãs das motos (Enthusiast Services). Mas antes disso, sua missão era redescobrir esse fanatismo e estimular os grupos adeptos à experiência Harley. Foi aí que entrou todo o trabalho de pesquisa e criação das comunidades da marca. Puro marketing de relacionamento, mas que acabou virando psicologia. “Quando trabalhamos para uma marca forte, isso envolve paixão. Temos então que aprender a lidar com emoções e derrubar alguns mitos, como tolerar conflitos e perder o controle sobre o que eles falam da gente”. A entrada da empresa no mundo digital veio bem depois, claro, potencializando toda essa cultura já consolidada.

Lições do mundo 1.0? Sim, e que se repararmos, vêm se proliferando cada vez mais dentro das redes – mas, muitas vezes, sem esse entendimento humano da coisa. Os gestores de marca falam em social media toda hora, diz Lee, mas esquecem que essa é só uma ferramenta online dentro da estratégia. “Não confundam; o conceito de comunidade é muito mais amplo”. E o que isso tem a ver com RP 2.0? Tudo. Lidamos com reputação de empresas e marcas, oras; o que é diretamente proporcional às nossas relações diárias com a mídia, seja a imprensa tradicional ou online, sejam a blogosfera e redes sociais. Nada mais óbvio então do que lembrar do poder que as comunidades e seus indivíduos conquistaram no meio disso tudo. E trabalhar, cada vez mais, para estreitar os laços com elas – ao invés de tentar impor algum tipo de controle.

*Juliana Prando é consultora de comunicação da Máquina Public Relations

Quanto vale uma indicação na web?

por *Renato Mendes

Todo mundo tem aquele tio mais velho ou aquele primo distante que entende tudo de carro. Você nunca fala com ele mas, na hora de trocar de modelo, corre pra ouvir sua opinião. Ele não trabalha na indústria automotiva, não quer te vender um carro e nem pede nada em troca pela consultoria. Mas fica feliz da vida quando é chamado a opinar porque gosta de ser “reconhecido” pela família e amigos como aquele que entende tudo sobre o assunto. É bem provável que alguém que tenha em sua família um expert em carros, não tenha também um em imóveis, finanças pessoais ou eletrodomésticos. Afinal, os círculos de relacionamentos são finitos – embora nós precisemos de orientação em quase todos esses assuntos. A solução para este dilema parece mais próxima se olharmos para a internet.

Quando alguém compra um livro ou um CD e emite sua opinião sobre ele na web, você acredita nessa informação por todos os motivos acima listados. Quem diz que determinada “geladeira é mais cara que a concorrência, mas é muito melhor” ou que “a entrega atrasou três dias” não é um publicitário te convencendo a comprar um produto, e sim, uma pessoa com simples desejo de ajudar. Alguns dizem que é o antimarketing. Na verdade, é exatamente o contrário: trata-se da forma mais antiga dele, o boca-a-boca. O que a internet faz é simplesmente possibilitar que pessoas que jamais se conheceriam, troquem opiniões sobre produtos.

O conceito tem vários nomes, fala-se em “social shopping” ou em “shopping 2.0”. Alguns sites brasileiros de e-commerce já perceberam a importância disso para seu negócios. No NetShoes, o internauta pode avaliar os produtos, apontar prós e contras da compra e ainda fazer comentários. Para que o sistema seja ainda mais respeitado, o sistema reconhece se aquele usuário realmente fez a compra – para evitar “sabotadores” ou concorrentes de má fé. Em caso positivo, lhe contempla com um selo de “Comprador Verificado”. Quem não deve, não teme.

*Renato Mendes é gestor da MWeb, unidade de mídias digitais e redes sociais da Máquina Public Relations.

Desculpas em Ctrl+Z

Atire a primeira pedra quem nunca quis dar um Ctrl+Z  na vida real.

Como diretora da MWeb, à frente de uma equipe especializada em gestão de reputação nas redes sociais, acabo de vivenciar o que muitos clientes passam na internet.

Hoje, participamos de um evento no qual a opinião pessoal de um funcionário quase ofuscou o trabalho de transparência e proatividade de um dos clientes da empresa. Venho a público pedir desculpas ao Gregori Pavan, citado no post pessoal do funcionário, aos participantes do evento e aos internautas em geral. Peço desculpas pelo Fábio Camargo, que em um momento de inadequação esqueceu-se de que é um formador de opinião na web e responsável pelos seus comentários públicos. Peço desculpas como gestora da equipe e em nome da MWeb.

Que esse seja mais um dos muitos aprendizados que trabalhar com interatividade nas redes sociais nos proporciona diariamente. Humildade, canja de galinha e manual de boas práticas não fazem mal a ninguém.

Carla Dazzi
Diretora MWeb

Você quer os jovens? Seja criativo

por *Luís Henrique Amaral

Antológico frasista, o escritor e jornalista Xico Sá escreveu outro dia no twitter: “Se o jornalismo impresso vai acabar, que acabe logo. Preciso dos meus amigos livres do plantão e na mesa de bar mais cedo.” Brincadeiras à parte, a queda na circulação dos grandes jornais impressos em todo o mundo não para de surpreender quem acompanha a indústria da comunicação.

O fenômeno é mais agudo entre os jovens. Conversando outro dia com um editor de um dos maiores jornais do país, ele me confidenciou que a última pesquisa realizada sobre o perfil dos leitores trouxe que é “quase traço” o número de assinantes com menos de 30 anos. Ou seja, a moçada sai da casa dos pais e não assina o jornal para sua nova casa.

Lembrei disso quando fui informado pelo pessoal da Máquina Web que os comentários dos internautas na Web 2.0 sobre o Projeto Cyan (que pintou de azul a capa dos grandes jornais brasileiros e a home do UOL) simplesmente não citava os jornais, só o UOL. Na mosca! Quem transita pela Web 2.0, um público majoritariamente jovem, praticamente não lê jornal no papel. Ficaram sabendo do Cyan, acharam a iniciativa da AmBev em prol do uso consciente da água muito legal, mas só se informaram sobre ela no UOL, ou seja, na internet. Isso quer dizer que os jornais estão menos importantes? Não! De forma alguma.

Quem toma decisão no Brasil lê jornal. O público de maior poder aquisitivo lê jornal. Os líderes em cada segmento social, seja empresarial, governamental, do terceiro setor ou, sei lá, religioso, lê jornal. Mas a queda da circulação dos jornais, principalmente entre os jovens, demonstra que as empresas precisam cada vez mais encontrar meios diferenciados para levar sua mensagem a esse público.

Pintar de azul as capas dos grandes jornais brasileiros foi uma idéia muito boa. Pintar de azul a home do maior portal de internet do Brasil foi genial. A AmBev falou com todos os públicos e deixou uma marca de originalidade criativa para entrar na história da propaganda brasileira. Estou exagerando? Você já viu uma campanha que mudou a cor das capas dos principais veículos de comunicação de um país? Eu não!

*Luís Henrique Amaral trabalhou 15 anos como repórter em veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Veja. Está na Máquina Public Relations desde 2003 e hoje ocupa o cargo de diretor.

É preciso estar preparado para lidar com a mídia

por *Gilson Moreira

As ferramentas de Media Training e da Coletiva de Imprensa no relacionamento com os jornalistas da grande imprensa

Outro dia, em uma sala da Máquina da Notícia, estavam dois grandes empresários, feras do setor de vendas no Varejo, e uma equipe de jornalistas da Máquina da Notícia. Eles fariam um importante anúncio para a mídia e precisariam se expor em coletiva de imprensa.

Apesar de experientes empresários (e vendedores), estavam nervosos com a iminência de enfrentar os jornalistas. Bem sucedidos no eixo Nordeste, Centro-Oeste, eles nunca tinham passado por experiência semelhante com veículos da mídia nacional. Confesso que, num primeiro momento, imaginei: Meu Deus! Eles estão muito despreparados e a coletiva é daqui a dois dias!

Dois e três sessões de media training depois, a coletiva aconteceu com todos os veículos nacionais importantes. Ambos se saíram muito bem! Enfrentaram mais de 30 veículos, entre rádios, todas TVs, TVs on line e grandes veículos da mídia impressa.

Esse exemplo real mostra que a ferramenta de media training é indispensável no planejamento de uma empresa que se relaciona com mídia, principalmente a grande mídia. E o media training efetivo é aquele que passa dicas de como se portar perante o contato direto com os jornalistas, mas que não interfere na personalidade do entrevistado. Trata-se de um ensaio, onde todos os possíveis questionamentos são realizados e em que as falhas dos entrevistados são apontadas e corrigidas.

A coletiva é uma ferramenta que deve ser usada com critério. Hoje, para uma coletiva ser bem-sucedida, o assunto deve ser realmente importante como notícia. Sim, porque os jornalistas sempre correm atrás da informação exclusiva. Portanto, o jornalista não gosta muito de coletivas. No entanto, a coletiva é a forma mais democrática de divulgar a notícia: não privilegia ninguém! A notícia é apresentada para todos.

Nessa recentemente coletiva de anúncio da fusão que resultou na segunda maior rede varejista de eletrodomésticos do país, a assessoria de imprensa cuidou de todos os detalhes. Desde a escolha do local, estrutura, até a elaboração do mailing de jornalistas que participariam. Passando, é claro, pelo media training, pela definição das mensagens-chave e pela elaboração do release e dos press kits. Acompanhou a coletiva em si e também as entrevistas individuais concedidas posteriormente. Um sucesso!

As empresas têm que considerar que o inevitável relacionamento com a mídia requer planejamento e preparação. Uma declaração mal dada pode comprometer toda a imagem de uma grande corporação. Lembrem-se do clássico exemplo do presidente de uma grande multinacional que chegou a dizer que o Piauí poderia desaparecer e que ninguém sentiria falta. Por causa dessa declaração, hoje ele é ex-presidente da empresa.

Assim, da mesma forma que nos preparamos para reuniões e apresentações de negócios, também devemos nos preparar adequadamente para conceder uma entrevista. Só assim, os resultados serão plenamente alcançados.

Então, consulte sempre seu assessor de imprensa!

*Gilson Moreira é jornalista, advogado, pós-graduado pela USP em Marketing Político e atua como assessor de imprensa de grandes empresas desde 97. É diretor da Máquina da Notícia e está na empresa desde 2008.

Revolução de sofá

A velha máxima de que notícia é o que sai nos jornais está datada. Hoje se não gerou buzz no Twitter e por extensão nas redes sociais e na web, não aconteceu. Qualquer campanha, marca, marketing ou produto precisa ser exitoso também no microblog; lá, o sucesso, ainda que efêmero, é estrondoso. E a premissa vale também para causas e movimentos político-sociais. A mobilização em até 140 caracteres, na qual seus adeptos são conhecidos por fazer protesto de sofá foi tema de discussão na última edição da Campus Party.  

As redes sociais contabilizam bons exemplos, desde bem-sucedidos e divertidos flash mob como Guerra de Travesseiro, no qual, pelo menos aparentemente, não há um engajamento por trás das ações, até causas sociais lideradas por empresas e organizações como Outubro Rosa, do Instituto do Câncer, ou Movimento Cyan, “Quem vê Água Enxerga seu Valor”, da Ambev, ou Trânsito Mais Gentil, da Porto Seguro.

Olhando para o nosso passado recente, podemos vislumbrar um paradoxo. Por um lado, podemos imaginar o potencial de mobilização da geração cara-pintada devidamente aparelhada com celulares com recursos de imagem, GPS, Twitter e tantos outros aplicativos ao alcance de um clique; por outro, fica a pergunta: será que os estudantes se levantariam das suas confortáveis cadeiras e invadiriam as ruas com suas caras verde-amarelas?

Essa é a grande questão. Como transpor para o mundo real a mobilização social virtual. Como gerar negócios, votos e ações concretas com as ferramentas da web 2.0?

Encampar uma causa que extrapole o universo dos consumidores, ganhe a sociedade e seja propagada no ritmo exponencial das redes sociais. Que empresa  não sonha e conquistar fãs, seguidores, e trazer para suas lojas e causas os que atualmente só protestam nos sofás?

E você, que causa lhe mobiliza?