Um passo adiante na comunicação

Marcelo Diego*

Pôr do sol no Congresso Nacional (fonte: Flickr Bruno Lessa)

Dormitam  em uma das inúmeras gavetas do Congresso Nacional ao menos seis projetos de grande importância para a população brasileira. O mais velho já existe há 20 anos, mas segue esquecido. Com matizes diferentes, todos versam sobre o mesmo assunto: a regulamentação do lobby.

Atualmente esta prática não é regulamentada no Brasil, abrindo espaço para uma confusão na correta acepção da palavra. Virou prática costumeira associar o termo a relações escusas entre os setores público e privado. A não-regulamentação da atividade só interessa a quem hoje vê na nebulosidade uma oportunidade para práticas ilícitas.

O termo se origina dos EUA.  Representantes do setor público e do privado se encontravam nos lobbies de hotéis de Washington DC para discutir termos da legislação. Eram apresentadas diferentes percepções, que ajudavam a engrandecer os debates.  O local passou a ser sinônimo da atividade. Fazer lobby é participar de um processo de influência na tomada de decisões e contribuir para elaboração de políticas públicas.

É ingênuo, incorreto e incongruente acreditar que parlamentares e membros do Executivo tomem suas decisões dentro de uma redoma de vidro. É necessário compatibilizar e compactuar necessidades diferentes de estratos da sociedade. As atitudes de influência e convencimento devem ser feitas às claras, enriquecendo o debate público e político e não como uma atitude subterrânea. Lobby não está somente associado a empresas, mas a comunidades e pessoas físicas, que podem se associar para fazer valer seus interesses.

Ganha a sociedade com a transparência das ações, sem margem para ilações que hoje existem. No Brasil, a defesa do interesse passou a ser associada a práticas de má versação de recursos, corrupção e tráfico de influência.

É necessário trazer a discussão para o campo correto. Que se criem limites. O governo federal tem rascunhado, por meio da Controladoria-Geral da União, um texto que fala em “conferir transparência” ao lobby.

Qualquer cidadão saberia o nome dos lobistas credenciados a trabalhar no país, que assim seriam identificados ao visitar uma autoridade ou adentrar um predito público. Políticos teriam que divulgar a todos suas agendas mantidas com lobistas, que também seriam obrigados a submeter ao escrutínio público uma prestação de contas de despesas efetuadas para convencimento de seus argumentos.

Os projetos pululam. Qualquer cidadão de bem prefere que as discussões sejam feitas as claras e de forma regulamentada. Qualquer agente que queira contribuir para o debate público de maneira correta abraça a idéia. Mas paradoxalmente os candidatos a cargos públicos (parlamentares e à Presidência) não falam sobre o assunto. A transparência dos atos e a comunicação correta são condições imprescindíveis para fortalecer a sociedade.

*Marcelo Diego é diretor da Máquina Metric/Editorial

Web, prêmio, universidade, inovação…

Por Patrícia Gil

O Grupo Máquina ganhou na terça-feira, pela terceira vez, o Prêmio Comunique-se como melhor agência de comunicação do ano, como vocês provavelmente já sabem. Ao acompanhar a cerimônia e ver tanto peso-pesado do jornalismo, me lembrei de uma recente palestra que demos na USP, na Escola de Comunicações e Artes. Pensei nessa gente nova sendo formada nas universidades, mas querendo, mais do que nunca, ficar perto do mercado de trabalho e exercer uma troca de ideias contínua. Gente nova, sangue novo, promessas de premiados no futuro, provavelmente dentro de um enfoque completamente diferente, em que a web 2.0 terá um peso mais relevante na formação de opinião e no fazer jornalístico.

(Temos tido a alegria de circular pelas universidades, sempre a convite, para debater sobre oportunidades para jovens profissionais da comunicação e sobre a relação web 2.0 x imprensa.)

A palestra foi feita a alunos de graduação como parte do programa de uma disciplina optativa sobre a prática diária do Jornalismo, aberta a vários cursos. Nos deparamos com jovens de várias formações – Biologia, por exemplo. O espírito crítico dos estudantes que encontramos lá, aliado à diversidade acadêmica, foi uma boa surpresa. Os participantes da palestra souberam questionar e comentar o papel das redes sociais no jornalismo e nas agências de comunicação talvez com mais propriedade do que muita gente experiente por aí. E isso é bom. Mostra renovação. Mostra que prêmios como o Comunique-se poderão continuar existindo com o mesmo fôlego, inovando com profissionais que querem fazer sempre diferente, que poderão proporcionar uma simbiose cada vez mais eficiente entre internet e as redações mais tradicionais. E que já começam a mudar a cada do jornalismo.

Enquanto isso, aqui na Máquina, queremos aprender com essa gente nova. E ensinar um pouco também, claro. Por isso está no ar o nosso Prêmio Máquina Multimídia (http://www.premiomaquina.com.br/). Queremos descobrir os talentos que poderão acelerar todas as essas transformações junto conosco, dentro da agência.

Prêmio Comunique-se em vídeo

Veja como foi a premiação que consagrou a Máquina como Agência de Comunicação do ano. No vídeo, Tiago Leifert, Sabrina Sato, Cid Moreira, Milton Jung, Milton Seligman e Eduardo Ribeiro parabenizam a nossa equipe.

Somos a Agência de Comunicação do ano!

Maristela Mafei recebe o troféu do Comunique-se 2010

Ontem foi uma noite de alegria para toda a equipe Máquina. Fomos eleitos a Agência de Comunicação do ano no Prêmio Comunique-se 2010, um importante reconhecimento do nosso trabalho. O mais bacana é que a escolha foi feita pelo voto dos profissionais de comunicação.

Agradecemos a todos que votaram e, principalmente, a todo o time Máquina.

Parabéns!!!

Mapa Corporativo das Redes Sociais 2010

Aqui está a íntegra da pesquisa feita pela Agência MWeb, que analisou a forma como as 250 principais companhias brasileiras utilizam as redes sociais.

Agência MWeb é destaque no Valor Econômico de hoje

O jornal Valor Econômico desta sexta-feira (17) publicou com destaque os resultados de pesquisa inédita realizada pela Agência MWeb sobre a presença  nas redes sociais das 250 maiores empresas do Brasil. O estudo revelou, entre outras coisas, que apenas 36,4% das companhias utiliza plataformas sociais e, deste total, a maioria não explora todo o potencial dessas ferramentas. Abaixo, você lê a matéria na íntegra.

VALOR ECONÔMICO – 17/09/2010

Companhias ainda ignoram redes sociais

Cibelle Bouças | De São Paulo

Desde que as redes sociais caíram nas graças dos internautas, empresas criam perfis e tentam estabelecer uma comunicação mais próxima com os consumidores. Uma pesquisa realizada pela agência de comunicação MWeb revela, no entanto, um quadro decepcionante sobre a atuação das companhias brasileiras. A maioria não faz uso do Orkut, Twitter, Facebook e YouTube – as quatro redes mais acessadas no país. E quem mantém perfil, raramente faz uso adequado desses meios.

A agência avaliou o desempenho nas redes sociais e em blogs das 250 maiores companhias do país durante o mês de junho – as dez maiores de cada um dos 25 setores da economia. A escolha das empresas foi feita com base no ranking da revista Valor 1000. Das 250 companhias, apenas 36,4% possuem perfil em alguma rede social. “Foi uma surpresa ver que a maioria das grandes empresas está fora das redes sociais”, afirma Renato Mendes, gestor da MWeb e responsável pela pesquisa. Ele observa que, segundo ranking da revista “Forbes”, 79% das maiores companhias do mundo estão nas redes.

Alguns setores destacam-se no uso das redes sociais. Entre as empresas de tecnologia da informação, por exemplo, oito das 10 maiores fazem uso desses sites. Outros setores com grande participação são telecomunicações (7), têxtil, couro e vestuário, varejo, alimentos, água e saneamento (6 em cada setor). “As empresas de bens de consumo lideram a participação pelo interesse de interagir com os consumidores sem intermediários”, diz Mendes.

A Natura está entre as empresas de consumo que mantêm perfil no Orkut, Facebook, Twitter e YouTube, além de blogs de música, maquiagem, cuidados com a pele e empreendedorismo social. A companhia entrou nas redes sociais em 2007 e hoje recebe, em média, 10 mil postagens por dia, com picos de 40 mil. As dúvidas são distribuídas para as diferentes áreas de negócios, que respondem os internautas em até dois dias, afirma o gerente de internet e meios digitais, Marcio Orlandi Júnior. “O Twitter tem sido a ferramenta mais usada no relacionamento com os consumidores”, diz.

Segundo a pesquisa, 43,4% das 250 companhias consultadas adotam o Twitter como ferramenta de comunicação com os consumidores. Nesse grupo, 46,6% atualizaram as informações diariamente em junho e 8,1% enviaram mensagens semanais. Mas 45,3% não fizeram qualquer atualização. Outro ponto negativo é o fato de apenas 32% das empresas terem respondido às mensagens postadas por internautas. “A maioria das empresas apenas divulga a informação, mas não interage. Elas contrariam a natureza do Twitter, que é a instantaneidade e o diálogo”, diz Mendes.

Um cenário semelhante é observado nos outros canais. O YouTube é o segundo canal mais usada pelas empresas, com 20,2% de adesão. Entre as que aderiram, 51,4% não fizeram qualquer atualização no mês. O Orkut, rede social mais popular do Brasil, é adotado por 15,6% das empresas. E 85,2% delas também não postou informação no período analisado. “Para o usuário, essa ausência de notícia soa como um abandono do perfil”, diz Mendes. No caso do Facebook, 63,2% das empresas não divulgaram novidades. Os blogs são a opção menos adotada pelas empresas. Apenas 9,8% possuem um site desse tipo. A periodicidade de atualização, no entanto, é maior: 58,9% divulgam novidades diariamente.

Uma constante transformação

Por Valdete Cecato

A Web está morta. Longa Vida à Internet.

Capa da Wired de setembro de 2010

Matéria recente, publicada pela revista americana Wired, afirmou que  a “Web morreu. Longa vida à Internet” – The Web is dead. Long live the Internet.   Para pessoas que, como eu, sempre acharam que Web e Internet eram exatamente a mesma coisa a “profecia” da revista em relação ao futuro das duas soou bem contraditória.

Para tentar entender o que os jornalistas da Wired quiseram  dizer e onde uma afirmação como essa poderia interferir no nosso trabalho, procurei o nosso expert em análise e desenvolvimento de web, Renato Filipov.  De cara, ele já foi explicando um dos gráficos que compõe a reportagem. A ilustração mostra que o consumo de vídeos está aumentando absurdamente nos últimos anos, em decorrência do YouTube e outros serviços semelhantes. Enquanto isso, as redes de troca de arquivos e download de músicas ( peer-to-peer ou P2P), por exemplo, permanecem quase inalteradas. Em compensação, a “web”  (onde está o e-mail e o FTP….) está diminuindo a sua proporção entre os demais serviços.

O grande “X” da questão segundo   o Renato é a revista afirmar que a Web está morta quando, na verdade, vídeos, redes P2P, FTP fazem parte da Web, ou da Internet, se preferirmos.

Por conta disso, a minha dúvida em relação à afirmação de que a Web está morrendo enquanto a Internet tem vida longa continuava.  E o Renato veio novamente em meu socorro:

“O que a Wired define como “Web” eu entendo que está mais para a pessoa sentada no PC acessando sites, blogs ou redes sociais, fazendo downloads ou outras atividades no modelo “tradicional”, ou seja, plugada em um computador nos moldes mais comuns. Isso, sem dúvida, está diminuindo bastante ultimamente, graças aos celulares super modernos que são relativamente baratos e possuem um poder de processamento quase igual a um computador. E as pessoas passam cada vez mais tempo fora dos PCs e usando a Internet pelos celulares, por meio de programas instalados que facilitam a utilização dos sites”.

Esse novo comportamento dos usuários da Web ou Internet traz mudanças muito importantes no modelo de negócios e também no formato dos conteúdos dos blogs e redes sociais. “Se a intenção é ter mais acessos, ganhar receita com publicidade online ou divulgação de outros produtos ou informações, os sites saem perdendo muito.  A pessoa manda um tweet pelo seu celular mas nem sequer  entrou no site, não viu publicidade alguma, não gerou tráfego, não faz a menor ideia do que tem lá”.

Essa mudança de comportamento dos usuários da Internet exige um olhar diferente também para as estratégias de comunicação que visam alcançar determinados públicos.  Ao contrário do que imaginávamos há pouco tempo, para conseguir  esse objetivo bastava apenas apostar no usuário sentado em frente a um  PC e ligado à Web por meio do acesso ao site da rede social – Facebook, por exemplo.  Hoje, é bom lembrar que grande parte desses internautas  já não entra nos sites e prefere a interação por meio de seus aparelhinhos portáteis como celulares e iPad.

 “Então o que vale entender é que as empresas não podem mais pensar somente no modelo tradicional de Internet , ter o seu site no ar e pronto, é preciso estar dentro das redes de vídeos, como YouTube e Vimeo  e investir em aplicações móveis, criar programas para celulares, iPads e aparelhos do gênero, pois é uma tendência irreversível utilizarmos cada vez mais esses aparelhos”.