Copa e Olimpíada exigem (ainda mais) um profissional de RP multifuncional

Por Ednilson Machado

 

Participei na última segunda-feira de um debate que deve ganhar cada vez mais espaço não só nas universidades, mas também nas agências de comunicação corporativa: o papel das relações públicas na organização (e sucesso) dos grandes eventos esportivos, a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.  O ERP 2010 – Encontro de Relações Públicas é organizado por estudantes de RP da ECA/USP e contou com uma plateia atenta até as dez e meia da noite -mesmo depois de um dia inteiro de mesas redondas e palestras.

Tanta atenção faz sentido.  O desafio de fazer a comunicação de marcas, empresas e eventos exige cada vez mais um perfil de profissional multifuncional – aquele que é capaz de entender a comunicação como um todo, sabendo trabalhar todas as plataformas de interface e, principalmente, tendo sensibilidade para entender e atender as demandas de todos os públicos de interesse.

A formação de um RP multifuncional, no entanto, não depende apenas da grade curricular de uma universidade ou da atenção das empresas na reciclagem de seu quadro atual de colaboradores dos departamentos de marketing ou de assessoria de imprensa.  Exige, sobretudo, inquietude do próprio profissional para conhecer e se atualizar sobre a interrelação entre os públicos de interesse e o peso estratégico que a comunicação ganhou nos últimos 15 anos.

Esse profissional, por essência, é um especialista em todo o processo de comunicação. Não é , portanto, ‘reserva de mercado’ de uma categoria. O bom PR multifuncional pode sair das relações públicas, mas também do jornalismo, da publicidade ou do marketing. Cada vez mais, no entanto, o mercado amadurece para atrair bons profissionais de administração, direito, tecnologia da informação, engenharia e até economia. As agências mais vanguardistas, hoje, são compostas por times multidisciplinares.

O desafio brasileiro de organizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada nos próximos seis anos torna a exigência por esse perfil de profissional uma necessidade ainda mais latente. Parte do nosso sucesso na realização dos dois grandes eventos vai depender, no campo da comunicação, na agilidade de inovar e de integrar a promoção do esporte de maneira sistêmica à atividade econômica e outras áreas do conhecimento.

A primeira questão: até que o ponto, hoje, o brasileiro sabe que estamos diante de uma única janela de oportunidade para posicionar o Brasil em um patamar muito mais elevado de conhecimento sobre o país e de oportunidade de negócios em várias áreas da economia? A comunicação – seja promovida pelo governo ou pela iniciativa privada – tem o desafio de despertar essa consciência na sociedade.

Os próximos seis anos são, portanto, de uma relevância sem igual na história do país. Formar novos profissionais de comunicação já imbuídos dessa visão de atuação e valor estratégico de seu trabalho exige a atualização de alguns paradigmas, especialmente nas faculdades de relações públicas e jornalismo. Cabe às grandes agências de PR do Brasil atual – a maioria delas com importantes experiências e parcerias internacionais, como é o caso da Máquina – provocar e fomentar o desenvolvimento desse novo comunicador e, de certa forma, dar sua contribuição para o país viver uma década (que está apenas começando) de ouro – e não me refiro apenas às medalhas olímpicas.

*Ednilson Machado é Diretor do Grupo Máquina PR

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