Tecnologia de Alto Impacto na Comunicação Corporativa

 No Mega Brasil 2012, VP de Contas Corporativas do Grupo Máquina PR e head da agência de apresentações criativas Zóio explicam por que tecnologia é core business das agências de PR

Cleber Martins. VP de contas corporativas, e Sidney Haddad, da Zóio, no Congresso Mega Brasil 2012 (Foto: Lauro Toledo)

Com a comunicação integrando-se às novas plataformas móveis e às rede sociais, tecnologia passa a fazer parte do core business das agências de PR. Cada vez mais agência de comunicação = agência de tecnologia. Por isso, “Tecnologia de Alto Impacto na Comunicação Corporativa” foi o tema da apresentação do VP de Contas Corporativas do Grupo Máquina PR, Cleber Martins no Congresso Mega Brasil de Comunicação 2012, maior evento de comunicação da América Latina, realizado no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, do dia 29 a 31 de maio.A apresentação foi moderada por Sidney Haddad, head da Zóio, agência de apresentações criativas, com foco em design e tecnologia, que integra o Grupo Máquina PR e produz apresentações para tablets e smartphones. Hoje, 73% dos internautas acessam informações de seus celulares, e os smartphones já atingem 14% da população. “Uma apresentação pode acontecer em qualquer lugar”, diz Sidney.

O Grupo Máquina PR se define hoje como uma empresa de alta tecnologia, preparada para entregar a seus clientes, informações em tempo real, de maneira interativa e multimídia. Entre os exemplos mostrados por Cleber está o social media release,  com recursos interativos e opção de sharing, o que garante uma efetividade 3,5 vezes maior que o release tradicional;  o vídeo-release; e o Portal do Cliente, desenvolvido pelo Grupo Máquina PR para que os clientes acessem num único ambiente digital informações como IDM (Índice de Desempenho na Mídia, outro produto criado pelo Grupo Máquina), clipping, termômetros de mídia e análise de redes sociais. “Temos robôs proprietários que varrem mais de 100 mil blogs, sites e plataformas sociais”, diz Cleber.

Outras tendências que definem a comunicação hoje foram tema da explanação, como o storytelling e a gamificação, uso de recursos de games em peças de comunicação. Como exemplo de storytelling, que consiste em contar uma história, gerando identificação de quem assiste com o tema tratado, Cleber citou a repercussão de uma ação desenvolvida pela Suvinil sobre o quarto do bebê de Cauã Reymond e Grazi Massafera, em filme exibido nas redes sociais, além de cases internacionais e outros desenvolvidos pelo próprio Grupo Máquina PR. “Temos o Prêmio Máquina Multimídia, que usa as redes sociais para recrutar novos talentos. Os candidatos precisam produzir vídeos de um minuto e conseguir votos. Os mais votados concorrem a vagas de trainee na empresa”, conta Cleber. O Prêmio é um dos produtos de comunicação e redes sociais oferecidos aos clientes pelo Grupo Máquina PR.

O vídeo ganha importância na comunicação, o que torna necessário apostar em novos canais de mídia, como canais corporativos e videowall, além de projection mapping em 3D. “A Ralph Lauren simulou um desfile, projetando as cenas em um edifício. O investimento é grande, mas o impacto compensa”, afirma Sidney.

Assista a alguns cases apresentados durante a palestra:

 

– Prêmio Máquina Multimídia

– Vídeo Cauã Reymond e Grazi Massafera (Suvinil)

Projection Mapping

– Storytelling no Twitter

Saiba mais sobre o evento:

http://www.megabrasil.com.br/congresso2012/Default.aspx

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O futuro é móvel, conectado e colaborativo

 

Como o novo cenário digital está mudando a realidade das empresas

 

Por Larissa Purvinni

 

La dactylo du Vert Galant (Paris, 1947): foto de Robert Doisneau ilustra o desejo por mobilidade

Recentemente, morreu o responsável por uma revolução tecnológica, comportamental e com amplos impactos sobre as empresas. Não se trata de Steve Jobs, mas de Eugene Polley, que inventou o controle remoto, em 1955. O slogan do revolucionário equipamento era: “Você precisa ver para acreditar!” E Eugene viveu bastante, 96 anos, o suficiente para testemunhar o advento da internet (uma invenção dos anos 1960), do computador pessoal, do mouse, dos celulares, dos tablets, da computação em nuvem e das redes sociais.

 

O mundo que conhecemos hoje começou a se desenhar a partir de sua criação. “Antes a mídia controlava o espectador. Com o controle remoto, o espectador passou a controlar a mídia”, diz Martha Gabriel, especialista em marketing da era digital, na palestra “Gestão 2.0 – Como o Novo Cenário Digital está Mudando a Realidade das Empresas e dos Executivos”, promovida pelo HSM Educação em 14/06.

 

Dar o controle ao indivíduo afeta os processos de gestão. O fenômeno foi potencializado pela popularização da internet, a mobilidade permitida pelo advento da banda larga, que tornou possível a computação em nuvem (cloud computing). Essa, por sua vez, é o que torna viável estar conectado full time e acessar seus arquivos de qualquer lugar. Além do cloud computing, vivemos o fenômeno do crowd computing, a chamada web 2.0, que permitiu aos consumidores, postar conteúdo e comentar em tempo real.

 

Ou seja: o novo cenário é cada vez mais conectado e digital e tem o consumidor no controle. Remoto. Até 2014 ou 2015, o acesso mobile vai superar o acesso via desktop. O mundo migra para dentro da rede por meio dos QR Codes (códigos que podem ser escaneados com o smartphone, levando a conteúdos na internet). A busca permeia todas as coisas, e o celular conecta todas as mídias. Muita gente assiste a TV twitando no smartphone.

 

Tudo isso provoca outras mudanças de comportamento que impactam nas decisões do consumidor e nas operações das empresas: “Muitos jovens preferem o transporte público para poder ficar com as mãos livres e estar conectado o tempo todo. Isso levou muitas montadoras a criar automóveis integrados com iPods e iPads”.

 

Nesse admirável mundo novo, a inovação é fundamental para a perenidade do negócio. Para isso, mais e mais as corporações passam a contar não apenas com funcionários criativos e motivados, mas com uma equipe muito mais ampla. Por meio de plataformas colaborativas é possível contar com sugestões de consumidores e especialistas para aprimorar um produto ou um processo. “Por que me restringir à minha equipe se tenho o mundo para colaborar?”, pergunta Martha.

 

Mas, para inovar, é preciso ser ousado e não ter medo de errar ou de, acertando, afetar o que acreditava ser a maior fortaleza do seu negócio. Como ensinava Steve Jobs, se você tiver medo de concorrer consigo mesmo, outras empresas não terão.

 

 “Ser inovador é sempre um risco, é trazer a responsabilidade para si, mas a inovação traz também uma grande oportunidade de obter novas receitas”, diz Martha, lembrando que a Kodak inventou a câmera digital, mas não investiu nela, pois acreditava que seu principal negócio era o mercado do filme e da revelação. “Para inovar, é preciso perder algo”, resume. Por ter medo de matar o filme, a Kodak morreu antes do inventor do controle remoto. 

 

Conheça as palestras e cursos do HSM Educação:

 

http://www.hsmeducacao.com.br

 

Visite o site de Martha Gabriel:

 

http://www.martha.com.br/

 

Os tablets e o futuro dos impressos

 

Por Guilherme Scarance

 

Vejo-me às voltas com uma pergunta há muitos anos, até hoje sem resposta. A tecnologia de ponta vai desbancar a cultura do papel, tão enraizada em nossas vidas? O dilema começou há uma década, muito antes da febre dos tablets e smartphones, quando a gigante americana Oracle aboliu internamente o papel. Seus executivos usavam laptops, internet e ponto final. Essa notícia me intrigou: seria preocupação ecológica, previsão certeira ou loucura?

Do lado oposto, muitos amigos até hoje se recordam do barulho das máquinas de escrever, as famosas Olivettis, com saudosismo sem fim. “Como eram bons aqueles tempos!”, repetem, de olho no retrovisor, ignorando os avanços que se instalam à nossa revelia. Eles garantem que o prazer de folhear um livro ou um jornal não acabará nunca. E dizem, seguros, que o homem está desaprendendo a pensar por causa dos equipamentos sofisticados. Será mesmo?

Espremido entre os dois extremos, assumi há algumas semanas o desafio de abolir a leitura em papel sempre que fosse possível. Era uma experiência. Comprei uma prancheta eletrônica da Apple e resolvi verificar aonde ela me levaria. Perdão aos saudosistas, mas confesso que estou começando a concordar com a Oracle.  Vamos às constatações que corroboram com a visão de que o papel, como conhecemos, poderá ganhar em breve lugar ao lado do papiro, nos museus.

  1. Com uma rede doméstica, baixo um jornal diário em cerca de dois minutos. Mais rápido que despertar, colocar o chinelo e abrir a porta para apanhar o exemplar do dia. E mais: o jornaleiro digital nunca atrasa e me entrega sempre a última edição. Leio onde quero, sem sujar as mãos e pago menos pela assinatura. Alguns jornais e revistas (Folha de S. Pauloe IstoÉ, por exemplo), nada cobram.
  2. Muitas reportagens , em papel, vêm acompanhadas de links para áudio e vídeo, blogs, redes sociais e enquetes. É a chamada “convergência de mídias”. Mas que cidadão comum liga o computador e espera a interminável atualização do antivírus para conferir os extras? É aí que os tablets (junto com os smartphones) fulminam o papel. Primeiro, a tela sensível ao toque acende em uma fração de segundo. Depois, ao ler as edições realmente digitais (alguns veículos só disponibilizam a cópia das páginas impressas), dá para conferir, com um toque de dedo, todo esse conteúdo multimídia. Tudo fácil, intuitivo. Só de ver a minha filha de 3 anos aprendeu vários comandos.
  3. Por fim, essa engenhoca oferece total mobilidade, com acesso rápido à internet onde estiver, e-mail, redes sociais, videochamada de graça, memória capaz de abrigar centenas de livros digitais, mapas com GPS, locadora de vídeos on line, tocador de músicas e vídeos, dicionários, ensino de idiomas e cursos livres de universidades americanas. A lista é muito maior, mas vamos parar por aqui.

Já nem sei se podemos chamar o ato de “ler”. Ele mudou, ficou menos solitário: é intercalado com assistir, ouvir, copiar, compartilhar, opinar, ser criticado…  Como em nenhuma outra época, é fácil produzir, distribuir e consumir conteúdo, embora ainda não pensemos de modo tão dinâmico e conectado. Já não é mais a convergência de meios, mas uma nova e inusitada mídia, a ser decifrada por jornalistas, assessores e publicitários.

Não poderíamos encerrar este post sem endossar algumas das queixas dos menos otimistas. Os que torcem o nariz para as novidades tecnológicas usam alguns argumentos que merecem reflexão. Os hackers, por exemplo, são cada vez mais ousados e, realmente, não há ninguém capaz de garantir 100% de segurança na internet. Há criminosos digitais no globo todo maquinando como sequestrar senhas bancárias e espalhar pornografia.

Há, ainda, os viciados em internet. Outro dia vi um taxista que acoplou um tablet ao painel e o acessava com o carro em movimento. Não estava de olho na tela para buscar o melhor caminho, mas concentrado nos posts do Facebook. Há, por fim, a questão do custo, mas logo uma dezena de fabricantes – quem sabe aqui mesmo no Brasil – produzirá aparelhos de igual desempenho, a preço infinitamente menor. E é só o começo da era dos tablets…

Concluindo, não podemos culpar a tecnologia pelo motorista inconsequente, pelo hacker e outros males. Ela, por si só, é neutra e o homem já provou que consegue distorcer tudo. Creio que a Oracle previu um futuro que está, sim, se concretizando. Vemos três gerações mescladas: a que só aceita o papel, a que migra do papel para a parafernália eletrônica e a digital, mais jovem, que não liga para o papel. Só o tempo dirá qual vai predominar.

A Revolução dos Tablets

Por Renato Vinícius Filipov, Diretor de Tecnologia do Grupo Máquina. Texto publicado na Revista Moeda Viva, novembro/2010.

O gadget do momento é o tablet. Ok, há muita palavra nova em uma só frase, mas temos que nos acostumar pois, no tempo em que vivemos, cada dia há um novo termo a incluir em nossos dicionários. “Gadget” é a palavra que define os dispositivos eletrônicos mais quentes e desejados do mercado. Também se aplica a alguns programas de computador, mas quando se referem a eletrônicos, normalmente são aqueles aparelhos novíssimos, repletos de novidades e que fazem parte dos sonhos de muitos aficcionados por tecnologia e entusiastas do mundo moderno. 

Os “Tablets PC” não são propriamente uma novidade, mas o bom gosto e a divulgação muito bem feita pela Apple do seu iPad chacoalharam o mercado mundial. E foi muito além da tecnologia, afetando diversos setores que não podíamos nem imaginar. 

Esses aparelhos são como laptops, mas sem teclado ou mouse. Parecem uma prancheta eletrônica. A tela é menor (em geral entre 7 a 10 polegadas) e é sensível ao toque, ou seja, o usuário interage com o equipamento usando seus próprios dedos em contato com a tela. O “teclado” se projeta na tela, e a interface fica perfeita. Dessa forma, são aparelhos super portáteis, leves e com a capacidade de executar centenas de tarefas. 

Há alguns anos fala-se em “e-books” ou “livros eletrônicos” que poderiam substituir as revistas e os jornais no futuro. Vejo as duas mídias se complementando ao invés de matarem umas as outras. Os tablets também executam essa tarefa, mas vão muito além. Ler um livro ou o jornal do dia nesses aparelhos é uma experiência fantástica, além de ter fácil acesso aos seus e-mails, navegar na internet, interagir em todas as redes sociais, visualizar fotos, assistir filmes em boa definição e armazenar milhares de músicas em sua memória. Isso sem falar em programas desenvolvidos por terceiros que podem ser instalados facilmente: jogos eletrônicos, editores de textos e planilhas, calculadoras científicas entre muitas outras opções. 

Esse vasto leque de opções sacudiu toda a economia. Empresas que atuam fortemente na web agora possuem um (bom) problema em mãos: quem lançar soluções próprias diferenciadas e criativas para explorar as oportunidades desse novo mercado poderá morder uma boa fatia do bolo. Entrar depois que o bolo estiver cortado pode deixar sua empresa somente com as migalhas. 

Depois do enorme sucesso do iPad, os gigantes da tecnologia começaram a se movimentar para criarem seu arsenal anti-Apple. A Dell promete lançar pelo menos dois tablets nos próximos meses, enquanto a Microsoft, HP, Samsung, Sony e outras do ramo já possuem suas soluções (ou estão prestes a sair do forno). Esses aparelhos não são tecnicamente fantásticos (devido à limitação de tamanho e ergonomia), mas cumprem com extrema eficiência o que se propõem a executar. A briga promete ser boa e, com mais opções no mercado, quem sai ganhando somos nós, consumidores. 

Somada a essa nova plataforma digital, recentemente a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) divulgou um anúncio de que o Brasil terá a telefonia celular de quarta geração (4G) em funcionamento até a Copa de 2014. Vamos a alguns números para tentar explicar o impacto dessa novidade. Atualmente, os celulares mais modernos utilizam a conexão 3G com a internet. A conexão 4G atinge de 100 a 5.000 megabits por segundo (Mbps) e é pelo menos 10 vezes mais rápida que as conexões dos nossos celulares e tablets atuais. Ou se ainda é pouco, os dados em 4G vão trafegar 100 vezes mais rápidos do que o acesso mais simples de banda larga que temos disponíveis em nossas casas. É muito rápido. 

Imaginando um cenário repleto de tablets se comunicando a 4G (ou até mesmo nos 3G atuais), é possível visualizar diferentes plataformas se comunicando em tempo real, trocando informações e dados em uma única rede mundial. Será possível realizar um check-up de rotina sem sair de casa, plugando sensores nesses gadgets que enviarão os seus dados vitais em tempo real para o seu médico. Visualizar câmeras e condições das rodovias no meio do caminho ou a popularização de aplicações de ensino à distância também são possibilidades reais. Ou no âmbito corporativo, realizar reuniões à distância com vídeo e voz será tão comum quanto falar ao telefone é hoje, e a experiência nas redes sociais nunca mais será a mesma. 

Finalizei minha coluna de fevereiro de 2009 com a seguinte frase: “é certo que um dia você ainda terá um smartphone, resta saber quando”. Hoje em dia são raros os empresários e pessoas que dependem da comunicação que conseguem viver sem um smartphone (BlackBerry, iPhone, HTC e muitas outras marcas). Não podemos dizer o mesmo para os tablets, já que o alcance deles não é tão amplo assim devido ao alto custo e a sua utilidade menos essencial do que um telefone celular proporciona, mas que eles vieram com força total e com um enorme potencial a ser explorado, isso é inegável.

Quatro anos de Campus Party

 

Foto: Mario Miranda/Agência Foto

 

por Andréa Beer

Como você marca um chopp com seus amigos? Nove entre dez jovens responderiam que usam o Facebook ou o Twitter. Porém, se a pergunta fosse feita quatro anos atrás, quando a Campus Party estreou no Brasil, a resposta certamente seria outra. O conceito de interação digital e mobilidade ainda eram incipientes e os instrumentos de social media, pouco utilizados. Mesmo assim, em 2008, o Brasil foi palco da primeira Campus Party na América Latina, evento de cultura digital criado em 1997, em Valencia, na Espanha. Rapidamente, a Campus Party Brasil consagrou-se como a maior do mundo, ultrapassando Espanha, México e Colômbia em número de participantes.

Entre os dias 17 e 23 de janeiro, cerca de 6.500 campuseiros mudam-se para o Centro de Exposição Imigrantes, em São Paulo, com seus computadores, malas e barracas para dentro de uma arena, onde se conectam a uma rede de alta velocidade e participam de uma ampla programação de oficinas, palestras, conferências, competições e atividades de lazer. Muito mais do que um encontro, a Campus Party é um laboratório de tendências, onde impera o debate e a colaboração. Palestras como a do Al Gore, ex-vice-presidente americano, dividem a atenção do público com competições entre os campuseiros, seja pela melhor ideia ou mesmo pela melhor disputa de Rock Band. Mesmo quem não é aficcionado por tecnologia, acaba se surpreendendo com o ambiente, os computadores tunados e as discussões. O evento é fechado, porém tudo pode ser acompanhado ao vivo pelo www.campusparty.org. Outra opção é visitar a área Expo, aberta ao público, ou ainda conferir os vídeos produzidos pela MVox e MWeb para o canal da Telefônica no Youtube: http://www.youtube.com/telefonicanaweb.

Tendências para um mundo sociodigital

Descrever tudo o que aconteceu na Conferência Internacional de Redes Sociais, que aconteceu em Curitiba entre os dias 11 e 13 de março, é uma tarefa inglória. Afinal, um encontro que reuniu mais de 3 mil pessoas e 100 palestrantes – entre eles Steven Johnson, Clay Shirky e Pierre Lévy – só pode resultar em um turbilhão de ideias e tendências que buscamos resumir nos tópicos a seguir:

Redes sociais e as cidades

Ao contrário do que se previa, a cada ano mais e mais pessoas estão deixando o campo e vivendo nas cidades. Em 2007, 3,3 bilhões de pessoas moravam em grandes centros; em 2050 estima-se que esse número chegue a 6,4 bilhões.

De acordo com Clay Shirky, “quanto maior e mais densa a concentração de pessoas mais precisaremos desenvolver ferramentas de comunicação e informação eficazes para ambientes populosos como as grandes cidades”. O autor do livro Here Comes Everybody relembra o sistema pneumático muito utilizado na comunicação dos primeiros arranha-céus para que as pessoas não precisassem mais subir ou descer dezenas de andares para se comunicarem uma com as outras. As redes sociais e a internet terão papel fundamental em aperfeiçoar a comunicação e potencializar a extração de inteligência das informações geradas pelos habitantes desses centros.

Steven Johnson concorda e complementa: “a internet é essencial principalmente às grandes cidades. Nas pequenas, as pessoas conseguem ter noção de tudo aquilo que ocorre em sua volta, do novo restaurante da rua principal à posse de um novo legislador. Já a proporção que algumas cidades tomaram fez com que seus moradores perdessem essa noção do todo e a internet e seus dados acabaram se tornando fundamentais para o melhor aproveitamento do espaço público.

Rede de coisas

O volume atual de dispositivos conectados à rede é estimado em 1 trilhão, principalmente por conta dos videogames e dos celulares. A recente queda da rede do Playstation 3 fez com que todos enxergassem uma promessa antiga: a internet não é mais formada apenas por computadores e sim por todo tipo de gadget fruto do processo de digitalização iniciado na década de 80.

Isso faz com que possamos estar em contato direto entre o mundo virtual e o mundo real e um dos grandes exemplos dessa integração é o FourSquare. Esse aplicativo para celulares cria uma rede social orgânica, pois novas conexões podem surgir em tempo real baseadas na localização de cada indivíduo.

Integração real x virtual

Casos famosos como a trilogia de vídeos de Dave Caroll contra a United Airlines utilizaram o poder da web para reverberar uma mensagem, porém não para mobilizar pessoas em torno dela. Esse movimento de aversão à companhia aérea acabou surgindo como “efeito colateral” da atitude do cantor, e não de forma planejada.

Entretanto, o fato de as pessoas estarem cada vez mais conectadas faz com que aumentem o número de iniciativas que utilizam as redes sociais virtuais para mobilizar grupos em torno de causas ou em prol de mudanças no mundo real de forma estruturada. Exemplos não faltaram durante os três dias de evento, como o PatientsLikeMe, SeeClickFix, MeetUp e o KickStarter.

Privacidade, excesso de informação e PKM

A presença em todas as redes sociais traz implicações como o excesso de exposição e a perda de privacidade. Porém, Steven Johnson relembra que isso não pode ser usado como argumento para abandoná-las. Pelo contrário, precisamos usufruir tudo isso que é oferecido por elas, mas sabendo preservar nossa intimidade. Steven sugere, inclusive, que isso seja ensinado nas escolas às crianças desde os primeiros anos.

As questões relacionadas ao indivíduo inserido nas redes sociais também foram assunto da fala de Pierre Lévy que abordou a gestão pessoal do conhecimento no último dia da conferência. O filósofo francês acredita que o “problema não está no excesso de informação e sim na ausência de critérios individuais de foco e de escolha de fontes confiáveis a seguir”. Para contornar esse problema, Lévy propõe um método composto de nove etapas, além do uso de processos e ferramentas de PKM (personal knowledge management):

  1. Gestão da atenção
  2. Conexão com fontes valiosas
  3. Agregar/Coletar fluxos de informação
  4. Filtragem
  5. Categorização
  6. Registro para memória de longo prazo
  7. Síntese
  8. Compartilhar/comunicar
  9. Reassess (retrofluxo do processo)

O saldo desta troca intensa de interações mostra que temos ainda um grande campo a ser explorado. A onipresença da tecnologia faz com que ela se entrelace às nossas vidas de um maneira que praticamente não percebemos mais sua existência. Isso faz com que, finalmente, as atenções se voltem para o ponto de onde jamais deviam ter saído: as pessoas.

Do BETA para o mercado

por Rachel Buzzoni

Durante o evento CEO Summit, realizado em 18/11 pela Endeavor, a mesa redonda composta Francisco Amaury Olsen, presidente do grupo Tigre S.A; Artur Grynbaum, presidente do Boticário e Alexandre Hohagen, diretor do Google na América Latina focou sua discussão sobre o poder da inovação.

Em meio a diversos comentários, depoimentos e relatos, o grupo debateu a importância do processo inovador em seus negócios, os riscos realizados e descreveu modelos de gestão.

Alexandre Hohagen, da Google Brasil, explicou que muitas vezes o processo de inovação não está voltado apenas para a criação de novas tecnologias, mas também no modelo de gestão e retenção de talentos.

Atualmente, o Google acredita que a sociedade está na época BETA, na qual há um estímulo para os engenheiros criarem, mas quem tem mais capacidade para isso são os próprios usuários.

Para finalizar, ele deixou para a platéia o dilema que muitos diretores da Google – e de outras empresas – possuem: qual o ponto correto da inovação? Focar nos produtos betas já criados ou incentivar os funcionários a criarem novos produtos diariamente?